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LIVRO BOSSA NOVA E OUTRAS BOSSAS

Desde 2005, ano de lançamento deste livro, persigo esta verdadeira joia rara da música brasileira. O livro de mais de 300 páginas e do tamanho de uma capa de LP, teve uma tiragem de apenas 2.500 exemplares.

O livro está esgotadíssimo e não preciso nem dizer que se tornou um verdadeiro objeto de desejo dos amantes da Bossa Nova e da música popular brasileira.

Os autores desta façanha foram o meu saudoso amigo Caetano Rodrigues, que viveu ao vivo e a cores no Rio de Janeiro todos os grandes momentos da Bossa Nova desde o seu início e também o músico e produtor Charles Gavin.

Graças a um gesto muito especial do meu querido amigo Carlos Eduardo Pappacena Carneiro, um dos donos da famosa loja de roupas Ao Camiseiro, consegui adquirir no mês de julho deste ano o meu raro exemplar numerado – 0999. Número muito especial, que valorizou ainda mais os 12 anos de espera pelo livro. Gratidão!

A história deste livro começou em 1999, quando os dois se conheceram através de um amigo comum, que era dono de um sebo de discos de vinil.

Neste livro “Bossa Nova e Outras Bossas – A Arte e o Design das Capas dos LPS” estão reunidos grande parte da coleção pessoal do Caetano Rodrigues, um dos maiores colecionadores de discos do Brasil que tive a felicidade de conhecer.

Eu tive a sorte e o privilégio de ver e ouvir vários destes discos ao vivo. Quando me mudei para Curitiba, onde vivi por 2 anos, fiquei hospedado na sua casa nos 3 primeiros meses. Foram dias e noites inesquecíveis, onde pudemos compartilhar muitas histórias e ouvir muita música.

O prefácio do livro só poderia ser assinado pelo também querido amigo Ruy Castro, uma das maiores autoridades sobre Bossa Nova deste planeta e que considerava a coleção de discos de Bossa Nova do Caetano Rodrigues, como a mais importante do Brasil.

A história da Bossa Nova foi contada através das capas dos discos, mostrando com absoluta competência vários momentos importantes do gênero musical que revolucionou a nossa MPB.

As raridades são muitas e selecionei duas: a primeira, o disco do pianista americano Jack Wilson gravado em 1967, quando Tom Jobim morava em Los Angeles. Tom frequentava o bar onde o pianista se apresentava regularmente e eles decidiram fazer um disco juntos. Como Tom Jobim já tinha contrato com outra gravadora ele participou das gravações, curiosamente com o nome de Toni Brasil no violão. A segunda, o disco “Bossa é Bossa” da turma da Bossa Nova, da qual fazia parte Roberto Menescal com apenas 21 anos. Foi a primeira vez que a expressão Bossa Nova apareceu na capa de um LP.

O livro foi lançado oficialmente em 17 de março de 2005 na cidade do Rio de Janeiro, na saudosa loja de discos Modern Sound, que contou com a apresentação musical de Roberto Menescal, Wanda Sá, Durval Ferreira, Leny Andrade, Pery Ribeiro entre outros. Uma verdadeira festa da Bossa Nova! Faço aqui também uma singela homenagem ao saudoso amigo Caetano Augusto Rodrigues.

Aproveito para desejar aos queridos leitores da coluna um 2018 radiante, repleto de realizações e sempre com muita música, é claro.

 

Livro Rio Bossa Nova – Ruy Castro

Sugiro que quando você voltar ao Rio de Janeiro, se permita fazer um roteiro um pouco diferente. O Rio é muito mais do que Copacabana, Ipanema, Corcovado e o Pão de Açúcar. Ele é a cara, o corpo, o jeito e, por que não dizer, a cidade da Bossa Nova.

Sugiro que você faça, assim como eu já fiz algumas vezes, o roteiro da Bossa Nova acompanhado de um aliado muito especial debaixo do braço, apesar do peso e do tamanho. É importante levar com você o livro “Rio Bossa Nova – Um Roteiro Lítero-Musical”, do jornalista Ruy Castro, lançado pela Editora Casa da Palavra (numa reedição atualizada e bem mais completa daquela original lançada em 2006). Um verdadeiro “Mapa da Mina”, com vários segredos revelados.

Experimente olhar para a janela da sala do prédio de Nara Leão, na Avenida Atlântica, em Copacabana, onde ali aconteceram os grandes encontros dos amigos da Bossa, caminhar em Ipanema e parar em frente ao prédio da Rua Nascimento Silva no. 107, onde Tom Jobim morou por muitos anos e lá compôs várias das suas belas e inspiradas canções, e também, caminhar pelo Beco das Garrafas, visitando o Bottle’s Bar, o Little Club e a Livraria Bossa Nova & Companhia, sentar no Bar onde Tom e Vinícius avistaram a Garota de Ipanema e se inspiraram para compor a mais famosa canção da música brasileira. E também ver o pôr do sol na Ponta do Arpoador e depois tomar um drink no Copacabana Palace. Que tal ???

Posso dizer que é uma experiência única e inesquecível. Sentir na pele e poder enxergar com os meus olhos todos os detalhes possíveis de uma geografia musical que faz parte da minha história de vida, não tem preço.

Muito bem organizado por bairros, o guia percorre todos os cantos da cidade, sugerindo endereços no Centro, Leblon, Ipanema, Copacabana, Lapa, Tijuca, Flamengo, Urca, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea, Alto da Boa Vista, Barra, São Conrado, Leme, Arpoador e até na Ilha do Governador.

Como se trata de uma verdadeira radiografia do “Rio Bossa Nova”, o guia facilita a escolha do leitor, que poderá decidir por conta própria, o roteiro de acordo com o seu interesse.

Você vai poder também se deliciar com incríveis histórias contadas por quem entende do assunto e que é conhecido como uma das maiores autoridades sobre a Bossa Nova. Além da pesquisa sobre lugares com as informações mais importantes são oferecidas pelo autor algumas deliciosas histórias (não todas, é claro) daqueles locais mencionados.

E o mais legal é que os outros segredos você terá que descobrir por conta própria, de acordo com as suas andanças pela cidade.

Recomendo que você faça esta experiência sensorial, capaz de reunir os 5 sentidos.

Vai fazer bem para a alma e para o coração, posso garantir.

 

Livro João Gilberto – Zuza Homem de Mello

Sou um admirador contumaz do trabalho musical executado pelo contrabaixista, jornalista, musicólogo, radialista, pesquisador, crítico e produtor Zuza Homem de Mello, uma das maiores referências do assunto música deste planeta e que, assim como eu, tem muita música nas veias.

Consegui trazê-lo a Santos para o lançamento de um de seus livros e, na mesma oportunidade, tive a honra e o privilégio de dividir os microfones com ele na extinta e saudosa Litoral FM – 91,9 MHz, para relembrar o premiado “Programa do Zuza”, que ele comandou por muitos anos nos finais de tarde na Rádio Jovem Pan AM Anos mais tarde, me reencontrei com ele, na cidade de Ouro Preto/MG, num Festival de Jazz, onde desfrutamos a calorosa amizade do genial guitarrista de Jazz, Bucky Pizzarelli (pai dos músicos Martin e John Pizzarelli), em sua primeira vinda ao Brasil, num jantar inesquecível.

E, em janeiro de 2016, trouxe ele novamente, desta vez como uma grandes atrações do Rio Santos Bossa Fest, fazendo a palestra de abertura do festival, com o tema “João Gilberto e Tom Jobim – Caminhos Cruzados”. Foi simplesmente sensacional e uma verdadeira aula de música e sensibilidade.

Zuza escreveu vários livros essenciais como “A Era dos Festivais: Uma Parábola” e os meus preferidos “Eis Aqui Os Bossa Nova” e “Música nas Veias: Memórias e Ensaios”, entre outros lançamentos importantes. E, com o conhecimento de poucos, teve a coragem de escrever em 2001, pela Editora Publifolha, da coleção “Folha Explica”, um livro sobre a obra musical do cantor e violonista João Gilberto, marcando as comemorações dos seus 70 anos de vida, completados na época do lançamento. Dividido em 13 capítulos e 128 páginas deliciosas, o livro, que não é e nem pretende ser uma biografia, aborda vários aspectos muito interessantes deste personagem da nossa música, que é cercado de lendas, mistérios e uma genialidade absurda.

O autor investiga, e traduz, através das suas palavras, o caráter único e diferente do músico.  Zuza conta que a gravação de “Desafinado” foi um marco na carreira de João Gilberto e no movimento da Bossa Nova (esta canção lançou uma nova forma de se ouvir e interpretar a MPB e que resultou na Bossa Nova), embora considerando que ela não é a mais perfeita. Para o autor, a mais perfeita canção da Bossa Nova é “Samba de Uma Nota Só”. E, para encerrar, uma dica essencial do autor para que possamos absorver na totalidade a arte de João Gilberto: “Devemos ouvir a música de João pela primeira vez concentrando na voz. Depois, reouvir concentrando no violão. E, depois, reouvir pela terceira vez, concentrando na sonoridade da voz e do violão. Esse é o ponto crucial para se ouvir João Gilberto”.

No mais, ouça João Gilberto com a maior atenção possível. Afinal, voz e violão estão diretamente ligados a João e Gilberto. Todos são um só.

 

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