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Mídia

Botte’s Bar – Beco das Garrafas

 No dia 7 de março de 2014, vivi uma das maiores emoções da minha vida. Pude conhecer, pessoalmente, o mítico “Bottle’s Bar”, no Beco das Garrafas, localizado na esquina da Rua Duvivier, no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. E que viveu seu auge entre os anos de 1958 a 1965.

O local foi reaberto no reveillon de 2014 e nos dias atuais de forma surpreendente, conta com uma programação diária de Bossa Nova, graças ao empenho e dedicação pessoal da incansável e dinâmica cantora e uma das proprietárias da casa, Amanda Bravo de Moraes Ferreira, filha do músico e produtor Durval Ferreira, um dos melodistas e compositores mais importantes da Bossa Nova, autor dos clássicos “Batida Diferente”, “Estamos Aí”, “Tristeza de Nós Dois”, “Chuva”, “Moça Flor”, entre outros temas marcantes.

Tenho que confessar que, por várias vezes, esbarrei propositalmente meu braço nas paredes da casa, talvez para poder sentir um pouco do que estava impregnado naquelas paredes, afinal, elas registraram e absorveram alguns dos melhores momentos da nossa música.

A história da Bossa Nova passa por este local bastante intimista e lá se apresentaram simplesmente todos os grandes nomes do gênero. Aquele palco funcionava como templo de batismo para todos os artistas. E olha que foram muitos nomes importantes que ali tocaram ou cantaram no início de suas carreiras.

Alguns destes nomes: Tom Jobim, Sergio Mendes, Luiz Eça, Luiz Carlos Vinhas, Paulo Moura, Durval Ferreira, Maurício Einhorn, Johnny Alf, Sylvinha Telles, Leny Andrade, Nara Leão, Elis Regina, Silvio Cesar, Pery Ribeiro, Wilson Simonal, entre tantos outros.

Coincidência ou não, naquela noite eu estava no lugar certo, na hora certa. Afinal, depois de 50 anos, ali voltaria a se apresentar um dos grandes nomes da Bossa Nova, o músico Bebeto Castilho, integrante do incrível grupo Tamba Trio, desta vez ao lado do Paulo Midosi Trio.  Quando falei com Bebeto Castilho, antes do show, um aperto de mão, um abraço afetuoso e lágrimas de emoção.

Cresci ouvindo em casa o Tamba Trio e a sonoridade do grupo marcou a minha formação musical e os arranjos, sempre de vanguarda e ousados, caracterizaram a trajetória de sucesso do grupo.

Foi uma noite memorável e inesquecível, compartilhada ao lado do meu querido amigo e músico carioca, Marlon Esteves e também dos queridos Marcello Silva, Fred Falcão e da simpática e alegre Nildé Ferreira, viúva de Durval Ferreira.

Na abertura do show, conferi, surpreso, a voz suave da querida cantora Amanda Bravo, um dos grandes nomes da nova geração de intérpretes da Bossa Nova. Talento e simpatia não lhe faltam. Viva o Bottle’s Bar! Viva a Bossa Nova!

 

 

Paquito D’Rivera & Trio Corrente – “Song for Maura”

 

O clarinetista e saxofonista cubano radicado nos Estados Unidos, Paquito D’Rivera, teve a feliz ideia de chamar os meninos prodígios do Trio Corrente, formado por Fábio Torres no piano, Paulo Paulelli no contrabaixo e Edu Ribeiro na bateria e, mais uma vez, expressou seu amor pela música do Brasil. Ele já havia feito isso em lançamentos anteriores da sua vitoriosa carreira

A boa notícia é que o CD “Song For Maura” (homenagem póstuma à mãe do músico cubano), produzido pela competente e arrojada dupla Jacques Figueiras (grande responsável por este encontro) e Brenda Feliciano, foi premiado merecidamente com o Grammy, na categoria de Melhor Álbum de Jazz Latino no ano de 2014.

O repertório fugiu do lugar comum e traz composições não muito conhecidas de nomes brasileiros, como Pixinguinha, e apresenta uma mescla do tempero bem brasileiro do Choro, Samba, Baião e um pouco de Bossa Nova, incorporados ao irresistível molho do Jazz. Mistura bem equilibrada e extremamente agradável de se ouvir.

Meus destaques ficam para “Chorinho Pra Você”, “Sonoroso”, “For Leny”, “Murmurando”, “Céu e Mar”, “Paquito”, “Tem Dó”, “Cebola No Frevo” e a belíssima faixa título “Song For Maura”.

Tenho a honra de acompanhar, desde o princípio da carreira, o trabalho desses músicos maravilhosos do Trio Corrente (parceria que já dura mais de 15 anos) e, a partir desta cobiçada premiação, o grupo entra num seleto grupo de artistas premiados do Brasil.

O Trio Corrente conseguiu demonstrar de forma clara, que o improviso do Jazz pode muito bem se harmonizar com a música brasileira, e a reunião com o músico Paquito D’ Rivera foi simplesmente perfeita. Orgulho para nós brasileiros e um alento para a música instrumental do nosso país.

 

 

Roberto Menescal & Andrea Amorim – “Bossa de Alma Nova”

Com texturas, arranjos e sonoridades revigorados, o encontro do violonista, guitarrista e produtor Roberto Menescal com a cantora pernambucana, Andrea Amorim, ganhou status de uma agradável novidade. E também marcou as comemorações do 75º Aniversário deste grande nome da Bossa Nova, no ano de 2012.

Prova de que a Bossa Nova não parou no tempo e, desde que respeitada a sua essência, pode e deve nos oferecer novas gravações do seus temas principais, em sua maioria compostos nas décadas de 50 e 60, como também as composições mais recentes, sempre muito bem-vindas.

A roqueira da cidade de Garanhuns se apaixonou pela Bossa Nova quando fez uma excursão com Menescal para o Japão, onde pode sentir, na pele e no coração, o amor dos japoneses pela nossa música, por vezes, até maior do que aquele que sentimos por aqui, curiosamente.

E como tem sido feito com vários lançamentos do mercado da Bossa Nova, o CD primeiro foi lançado no exterior e depois por aqui pelo selo Albatroz, de propriedade do próprio Menescal em parceria com o produtor e músico Raymundo Bittencourt.

Destaco as regravações dos clássicos “Rio”, “A Morte De Um Deus Sal”, “Vagamente”, “Vai de Vez”, “Você” ,“O Barquinho”, “Nós e o Mar”, “Bye Bye Brasil” e as mais novas “Agarradinhos”, “Solidão Nunca Mais”, “Eu Canto Meu Blues” e a surpreendente “P’rú Zé”, com um “vocalize” de ambos, sensacional.

A banda base foi formada por Marcio Menescal no contrabaixo, Reginaldo Vargas na percussão, Raymundo Bittencourt na bateria.

Impossível não se contagiar pela sonoridade do CD e para os puristas e mais radicais, fica a prova de que a Bossa Nova não parou no tempo e está dando provas do seu vigor renovado.

 

 

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