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A MAD DONATO 

O genial pianista, compositor e arranjador João Donato, a caminho dos seus joviais 84 anos de vida, um dos mais criativos artistas da nossa música, lançou recentemente uma caixa com 4 CD’s pelo selo Discobertas.

O título desta caixa especial “A Mad Donato”, é uma alusão ao disco “A Bad Donato” lançado em 1970, que também considero uma preciosidade.

O artista tinha um hiato de discos de estúdio na carreira entre os anos de 1975 e 1996. A exceção foi o disco “Leilíadas” gravado ao vivo em 1986.

Naquele período, Donato gravou 3 discos que nunca foram lançados e que agora pudemos ter acesso: Gozando a Existência (1978), Naquela Base (1988) e Janela da Urca (1989). O quarto disco é um álbum especial repleto de raridades dos anos 70.

O projeto deste importante lançamento discográfico nasceu absolutamente por acaso e meio sem querer.

No ano de 2014, com a autorização de João Donato, o produtor Marcelo Fróes teve acesso a um armário na sua casa, que continha surpreendentes 800 fitas cassete, todas organizadas, com datas de gravação e as fichas técnicas dos músicos que participarama das gravações.

Material raro que o pianista por diversas razões tinha deixado para trás e que graças a grande durabilidade destas fitas cassetes, pôde ser garimpado e resgatado com muita qualidade.

Desta primeira remessa, considero como o mais importante o disco “Gozando a Existência”, álbum experimental gravado em 1978. Este disco seria na verdade um álbum triplo, contando com um verdadeiro exército de participações especiais e que teve a ajuda fundamental de Roberto Menescal, que cedeu gratuitamente na época, o estúdio da sua gravadora.

Deste material, sobraram 9 faixas que tivemos acesso agora, com destaque para as importantes participações de Djavan (bem no início da sua carreira), Paulo Jobim, Alaíde Costa e José Amin.

Já o álbum “Naquela Base”, do ano de 1988 foi encomendado por um produtor japonês e é um disco totalmente instrumental, que contou com as participações principais de Luiz Alves no contrabaixo, Robertinho Silva na bateria e do saudoso Márcio Montarroyos no trompete, entre outros músicos. É o disco que mais gostei da caixa. Sonoridade absurda.

O disco “Janela da Urca” do ano de 1989, é um disco 100% solo. João Donato gravou o disco no estúdio particular do cantor Ritchie e fez diversas experiências de sonoridades com sintetizadores e equipamentos modernos, tocando todos os instrumentos. Modernidade pura.

O último disco, “Raridades Anos 70” traz os clássicos “Não Tem Nada Não”, “Bananeira” e “Fim de Sonho”, que contou com a participação especial e delicada da cantora Nara Leão, sua grande e querida amiga de vida.

Do tesouro encontrado, este é apenas o primeiro lançamento. O produtor Marcelo Fróes promete para breve outro lançamento, desta vez com gravações dos shows ao vivo que João Donato fez nos anos 80.

É esperar para conferir mais lançamentos raros que registraram toda a genialidade do pianista João Donato. E como aprendemos com ele, só nos resta no momento pedir “água”. Viva João Donato!


Ivan Lins & Gilson Peranzzetta – “Cumplicidade”

A inspiração para a reunião destes grandes amigos e parceiros de muitos anos, aconteceu naturalmente depois de um show que ambos fizeram em 2008 na distante e fria Finlândia, no formato piano acústico, teclado e voz.

A idealizadora deste disco foi Valéria Lins que no início de 2017 sugeriu que eles gravassem juntos um CD intimista para celebrar a amizade e parceria de 44 anos. Já a produção do disco foi assinada por Eliana Peranzzetta. Ou seja, tudo ficou em família, proporcionando momentos musicais mágicos, intimistas e únicos.

O nome do trabalho “Cumplicidade”, lançado este ano pelo selo carioca Fina Flor, ilustra muito bem o que aconteceu nas gravações, sem roteiros ou regras, A única condição seria a soma de talentos, aproveitando a ligação afetiva e de admiração que ambos tem um pelo outro.

A inspirada parceria da dupla e mais Vitor Martins e Ronaldo Monteiro gerou vários clássicos mundiais que foram gravados por eles e pelos principais artistas do planeta como George Benson, Sarah Vaughan, Nancy Wilson, Jane Monheit entre tantos outros nomes importantes.

Meus destaques ficam para “Abre Alas”, “Começar de Novo”, “Setembro”, “Love Dance”, “Antes Que Seja Tarde”, “Madalena” e faixa bônus “Dinorah, Dinorah”, que foi gravada naquele concerto realizado na Finlândia.

Os improvisos e arranjos do piano acústico do Maestro Gilson Peranzzetta são de arrepiar e ficaram em perfeita harmonia com a voz marcante e os solos vocais e do teclado de Ivan Lins.

Muita emoção, inspiração e bons momentos musicais registrados magicamente num só disco, que já nasceu clássico, por reunir novamente estes dois gigantes da nossa música.

Como sempre falo, a música sempre nos surpreende e ainda mais com um disco desta qualidade. Só nos resta agradecer e reverenciar!


Gilson Peranzzetta – “Tributo a Oscar Peterson”

O genial pianista, compositor e arranjador Gilson Peranzzetta também tem uma íntima relação com o Jazz.

Ele revelou que sempre ouvia com carinho o saudoso pianista canadense Oscar Peterson (1925 – 2007), considerado como um dos principais pianistas da história do Jazz.

Uma destas experiências como ouvinte, aconteceu quando ele sintonizou o programa “Um Piano Ao Cair da Tarde”, que tinha grande e fina audiência, exibido pela saudosa Rádio Eldorado AM de São Paulo. Marcou época e tem até os dias de hoje uma legião de fãs, amantes da boa música.

O pianista Oscar Peterson era uma figura que sempre tinha destaque no programa, que se tornou referência para os apreciadores do piano.

O programa era exibido sempre no final da tarde, na hora do “rush” e as músicas que eram apresentadas funcionavam como um bálsamo para os nossos ouvidos. Sempre executadas pelos melhores pianistas nacionais e estrangeiros.

O disco tributo de Gilson Peranzzetta também lançado este ano pelo selo carioca Fina Flor, traz o registro da participação impecável e inspirada do contrabaixista Paulo Russo, infelizmente falecido recentemente, além da levada de classe do baterista João Cortez.

Foi gravado ao vivo no CCBB no Rio de Janeiro, criando uma atmosfera jazzística muito especial e contou com a produção de Eliana Peranzzetta.

Merecem destaque os improvisos geniais do pianista, que surpreendem a cada música e que foram muito bem complementados pelos músicos que o acompanharam no palco. Sinergia completa e demonstração de muita afinidade musical entre os músicos.

Não deixe de ouvir “I Feel Pretty”, uma versão jazzística de “Garota de Ipanema”, “The Days Of Wine And Roses”, “Con Alma”, “Easy To Love” e “I’ve Got You Under My Skin”.

O disco é uma prova da grande versatilidade de Gilson Peranzzetta, mostrando que o Jazz também lhe faz muito bem obrigado.

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